
Conselho Municipal dos Povos de Terreiro de Porto Seguro

Este cantinho é pra falar de axé, do povo - de - santo e de lutas!
A criação de um Conselho Municipal não nasce de um desejo individual, muito menos de uma canetada burocrática, mas de uma insurreição dos saberes sujeitados.
Trata-se, portanto, de um momento em que os conhecimentos oriundos de sujeitos ancestrais que, historicamente, foram relegados à margem, reivindicam seu lugar no cenário político enquanto sujeitos de direito e de fala.
Estamos aqui e vamos ficar!

O Primeiro do Nordeste
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Do Berço Colonial ao Pioneirismo Institucional.
Sempre que se fala em Porto Seguro, o imaginário coletivo é imediatamente transportado para o ano de 1500. A narrativa oficial construiu a imagem de uma Cidade-Monumento, um cenário de pedra e cal onde o tempo parece ter congelado no momento do achamento. Essa cartografia colonial, que Manuel Castells chamaria de uma estrutura de dominação, preocupou-se em registrar apenas o que era visível ao olhar europeu: a linha da costa, as igrejas no topo da falésia e o marco do descobrimento.
Por séculos, essa foi a única Porto Seguro que existiu nos registros oficiais e nos diários de governo. Era a Cidade-Espetáculo, desenhada para ser contemplada, mas nunca plenamente vivida por quem a sustenta. No entanto, sob a sombra das árvores que os botânicos da coroa não classificaram e nas curvas de rios que os mapas ignoraram, uma outra geografia era traçada. Uma geografia feita de sons de tambores, do cheiro das folhas e de redes de solidariedade que operavam no silêncio.
Essa era a Identidade de Resistência. Durante mais de quinhentos anos, essa cidade paralela existiu sem existir para o Direito Administrativo. Seus territórios não tinham isenção, sua cultura não tinha fomento e suas lideranças não tinham cadeira nas mesas onde o futuro do município era decidido. Era uma Porto Seguro que pulsava na clandestinidade da fé, protegida pelo segredo e pela resiliência.
A Práxis Política do Axé!
A criação de um Conselho Municipal não nasce de um desejo individual, muito menos de uma canetada burocrática, mas de uma insurreição dos saberes sujeitados. Trata-se, portanto, de um momento em que os conhecimentos oriundos de sujeitos ancestrais que, historicamente, foram relegados à margem, reivindicam seu lugar no cenário político enquanto sujeitos de direito e de fala. Para tanto, o percurso para essa institucionalização e conquista de espaço político do Conselho de Povos de Terreiro foi, no mínimo, hercúleo. Segundo o superintendente da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial – SEPIR e um dos articuladores da criação do Conselho de Povos de Terreiro de Porto Seguro, Danilo Soares, o primeiro passo “da mobilização para o desenvolvimento da concretude do Conselho foi o exercício da escuta”.
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Conselho Municipal de Povos de Terreiro
A fundação do Conselho de Povos de Terreiro rompe com séculos de invisibilidade institucional e historicizar sua criação é, portanto, documentar a transição de uma resistência silenciosa para uma incidência política organizada.
Povos de Terreiro


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